Pope MFG Co. — Columbia Chainless 1898

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Pioneira nalguns dos mais importantes avanços técnicos no que toca à manufactura de bicicletas, em 1898 lança para o mercado uma das mais emblemáticas bicicletas sem corrente de fabrico americano — a Columbia Chainless”.

Veterano da guerra civil Americana, Coronel Albert Pope funda em 1877 a Pope MFG Co. onde dá início à produção das primeiras machinas com a marca Columbia, alcançando breves anos depois, o título de supra-sumo na indústria americana de manufatura de bicicletas.
Em 1898 lança para o mercado, o que viria a tornar-se numa das mais publicitadas e emblemáticas bicicletas de transmissão a cardan — a Columbia Chainless — modelos 50 de homem e 51 para senhora. Pope conseguiu aperfeiçoar a engenharia e posterior industrialização do sistema chainless de uma das mais custosas bicicletas americanas do período.

 

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A bicicleta que hoje apresento no Veterano Cyclista é precisamente a Model 50 de 1898, pertencente ao meu amigo Juan Santos, que simpaticamente me autorizou a publicação e com o qual tive o prazer de aconselhar e colaborar na recuperação da mesma, conseguindo assim preservar mais um pedaço importante da história da bicicleta, um meio de transporte hoje em dia tão banal, mas que é das mais notáveis e impulsionadoras invenções da humanidade.
A bicicleta chegou às mãos do Juan com alguns dos componentes em falta — rodas, o cubo da frente, pedais e o selim — mas o mais importante estava presente, o quadro e o sistema a cardan completo! Infelizmente a bicicleta sofreu de uma “operação plástica” e vinha com uma nova pintura, portanto qualquer vestígio de esmalte original desapareceu para sempre, mas isso não foi motivo de desmotivação. Imediatamente se deu início à busca incansável pelo material original em falta, até que com alguma paciência e esforço, a imponente machina ficou completa e de volta à estrada.

 

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Fotografia Antiga 04 — Av. das Tílias

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Para retomar a actividade deste espaço após ausência prolongada, começo com esta bela chapa de três nobres cyclistas em pose, acompanhados das suas machinas — ca. 1895. O cenário é a Avenida das Tílias do Palácio de Cristal no Porto, na altura, espaço muito frequentado por classes mais altas para eventos de recreio e passeios pelos jardins com vista para o Douro. Era também ao fundo desta Avenida que se encontrava o chalet do Palácio onde se fundou em 1893 o Real Velo-Club do Porto.
Podemos observar a bicicleta mais à direita com quadro em diamant mas ainda composta por um sistema de direcção único, conectado ao quadro por um conjunto de abraçadeiras, e pneus de borracha sólida — características que revelam ser um modelo mais antigo que as duas acompanhantes da esquerda, já com novos avanços de engenharia implementados. Têm um cadre incliné, direcção de caixa de esferas e pneus de câmara-de-ar com válvula, a poucos passos de evoluirem até ao modelo de bicicleta actual.

Fotógrafo Desconhecido

Reis da Estrada — Encontro de Bicicletas Antigas

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No dia 14 de Julho de 1880 foi disputada a primeira corrida de bicicletas em Portugal, precisamente na Foz do Douro entre
Matosinhos e o Castelo da Foz. A organização deste evento ficou à responsabilidade do
recém fundado Clube Velocipedista Portuense que nasceu do entusiasmo que as bicicletas provocaram nesta cidade.

Vemos portanto que a marginal da cidade invicta junto à Foz é desde há mais de uma centena de anos, palco para eventos de recreio e desporto ligados à história da bicicleta.
Com esta ideia em mente, a Invictus Cycle United e O Veterano Cyclista uniram-se para proporcionar aos velocipedistas portuenses, e não só, um evento inspirado nos passeios do passado com jogos e bicicletas do passado neste exacto local histórico — o Jardim do Passeio Alegre.
O ponto de partida é pelas 11 horas da Rotunda da Boavista, descendo depois pelas avenidas históricas da Boavista e Marechal Gomes da Costa até à marginal da Foz para um picnic e convívio do século passado com jogos tradicionais da malha e fisgadas ao alvo. Vai haver também a presença dum fotógrafo da Invictus Real e C.ª a registar retratos para Cabinet Cards dos velocipedistas trajados e acompanhados das suas machinas.

Posto isto, vamos então celebrar a véspera de Reis a pedal e com um sentimento de nostalgia pelos nossos veteranos cyclistas dos tempos de outrora.

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Prémios A Pasteleira | Velo Culture
Organização Invictus Cycle United | O Veterano Cyclista

Fotografia Antiga 03 — Trio Velocipedista

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Inglaterra, ca. 1895, surge esta fantástica imagem que tenho na minha colecção de originais. Um grupo de 3 Nobres cyclistas trajados a preceito, prestes a partirem em passeio num Domingo depois de almoço? Ou será numa paragem já durante o caminho? Ou é já mesmo depois do regresso a casa? O que é certo é que o passeio não deve de ter sido longo, pois os faróis para a iluminação à noite não estão colocados nas machinas.
Apreciem as roupagens dos três personagens e as suas bicicletas com especial destaque para a Raleigh do cavalheiro da esquerda.

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Cycles Terrot Dijon 1898 — Chaine Lavigne

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Em 1890, Charles Terrot introduziu a manufactura de bicicletas à sua fábrica de Dijon na França. Posteriormente foi patenteador de grandes inovações técnicas, entre elas, uma corrente designada de Chaine Lavigne.

A Terrot tornou-se notória por ter construído bicicletas francesas de alta gama e das mais caras disponíveis no mercado durante a passagem do século XIX para o século XX. Oito anos após a primeira machina desta fábrica ter sido construída, nasceu uma peça que tenho o prazer de guardar humildemente na minha colecção. Com 114 anos de idade, é precisamente uma máquina Terrot Dijon com o sistema de transmissão Lavigne e que actualmente é considerada uma das raras peças que se pode ter a sorte de encontrar no mundo do coleccionismo das bicicletas desse período.
Basicamente a lógica é invertida da de uma corrente normal o que lhe confere um aspecto bastante robusto e intimidante. Neste caso, os dentes fazem parte da corrente e encaixam em espaços delimitados por roldanas na pedaleira e roda livre, o que em contraste com a sua aparência, resulta num pedalar bastante agradável.

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Cycles Clément — A História nos Cartazes

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La Plus Importante & La Plus Ancienne Manufacture de France

A Clément foi uma das mais emblemáticas fabricantes de bicicletas francesas durante o período de viragem do século XIX para o XX. Aliada à grande qualidade das machinas, a publicidade era outro dos investimentos de mercado da marca, tendo ao longo da sua existência, comissionado aos artistas e desenhadores francesas da época alguns dos cartazes mais conhecidos da história do ciclismo. Apresento de seguida uma selecção dessas obras de arte, dispostas por ordem cronológica de forma a que se percepcione também a evolução dos velocipedes ao longo deste período, sejam de corrida ou passeio.

Clément et Cie Tricycles bicycles Paris rue Brunel, 20 / [affic

Manufacture de bicycles et tricycles perfectionnés, Clément ç

Bouisset / Firmin / 1859-1925 / 0440. Fernand Clément et Cie, P

Ancourt / Edward / 0440. Clément. Paris / [affiche] / [Edward A

Moore / George / 1805-1875 / 0440. Clément [cycles], Paris ...,

Moore / George / 1805-1875 / 0440. Clément [cycles], Paris ...,

Baylac / Lucien / 1851-1911 / 0440. La Plus importante et la plu

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Hercules Cycles 1930 — Marca de Durabilidade

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A Hercules Cycle & Motor Company Ltd foi uma empresa de manufactura de bicicletas fundada a 9 de Setembro de 1910. O nome é proveniente da associação à durabilidade e robustez.
A companhia fundada por Edmund e Harry Crane teve início em Coventry Street, Birmingham, Inglaterra. Numa fase inicial, produzia 25 bicicletas por semana.

Outra peça da minha humilde colecção é esta grande rival da Raleigh, uma Hercules manufacturada na década de 30 em Birmingham, Inglaterra. A bicicleta apresenta um fabrico de elevada qualidade com um ar simultâneamente robusto e leve, de componentes e secções muito finas e refinadas. Os cachimbos por exemplo, são recortados com uma forma oval de maneira a reduzir o peso e a acrescentar detalhe. De salientar são também os guarda-lamas muito elegantes, sobretudo o da frente com um término fora do comum e interessante. Não menos importante, é o raro e enorme selim Brooks B90, uma versão extinta nos anos 40 do actual modelo B33.
Como se pode verificar nas imagens, a pintura ainda brilhante tem presente a magnífica filetagem original dourada e vermelha, e alguns dos decalques, pormenores claramente a serem preservados, longe de restauros que iriam destruí-los para sempre. Os restantes componentes sofreram mais com a idade, e a explicação é por serem niquelados. A niquelagem é uma recubertura protectora dos metais semelhante à cromagem, mas de brilho mais macio e, na minha opinião, de cor mais agradável mas infelizmente menos resistente às oxidações. Esta característica em particular é suficente para nos indicar que se trata de uma máquina pré anos 40, pois até lá, o processo de cromagem ainda estava a ser descoberto. De qualquer forma, com a idade que tem, o estado da bicicleta é surpreendente.

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Fotografia Antiga 02 — Velocipedista Alemão

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Continuando a série de fotografias e postais antigos, aqui fica mais uma da minha colecção de originais. É uma Carte de Visite da Alemanha datada de 1902. Um pormenor interessante é o do travão da machina, algo rudimentar para a época. Está localizado atrás da roda da frente, junto à forqueta, em que para travar, o ciclista tinha que o pressionar com o pé contra a roda, o que não deve de ser muito seguro sobretudo em dias de chuva. O fabuloso traje do cavalheiro dispensa comentários!

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